A polêmica em torno do título de cidadão soteropolitano concedido ao senador Flávio Bolsonaro (PL) teve um desfecho recente, com a justiça decidindo a favor da entrega da honraria. O evento, que aconteceu no último sábado (17) no icônico Farol da Barra, quase foi cancelado devido a uma decisão judicial anterior.
A concessão do título, que é uma forma de reconhecimento a pessoas que contribuíram de maneira significativa para o desenvolvimento de Salvador, foi aprovada em maio deste ano, com 27 dos 38 vereadores votando a favor. No entanto, a entrega só foi agendada para agosto, coincidentemente durante um período eleitoral, o que levantou questionamentos sobre a legalidade do ato.
Na sexta-feira, uma decisão da juíza Carla Graziela Costantino de Araújo determinou a suspensão da cerimônia, alegando que a mudança da sede da Câmara para o evento poderia influenciar o processo eleitoral. A juíza impôs ainda uma multa de R$ 500 mil em caso de descumprimento da ordem. Contudo, no sábado, a desembargadora Marielza Maués Pinheiro Lima suspendeu a decisão anterior, permitindo que a homenagem fosse realizada.
Em sua análise, a desembargadora argumentou que a concessão do título e a escolha do local eram prerrogativas do Poder Legislativo, e que a decisão anterior se baseava em presunções e opiniões, sem evidências concretas de irregularidade eleitoral. Além disso, a multa foi considerada excessiva e prejudicial aos cofres públicos.
Essa situação gerou um debate acalorado na cidade, com a população dividida entre os que apoiam a homenagem e aqueles que a veem como uma manobra política. A entrega do título a Flávio Bolsonaro, que é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, insere-se no contexto das próximas eleições e reflete a polarização que ainda permeia a política baiana e nacional.



