A situação do transporte público em Salvador e nas cidades vizinhas, Feira de Santana e Lauro de Freitas, gerou uma grande preocupação durante o segundo turno das eleições presidenciais. A coligação do PT, através da Federação Brasil da Esperança, solicitou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a prorrogação do horário de votação até as 19 horas, alegando que a redução na circulação de ônibus prejudicou a chegada dos eleitores aos locais de votação.
O TSE, atento à gravidade da situação, exigiu explicações do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) sobre a interrupção do transporte coletivo, que poderia comprometer o direito ao voto. A Justiça Eleitoral já havia recebido relatos de que, apesar de uma determinação anterior para a normalização do transporte, muitos ônibus continuavam parados nas garagens, especialmente em Salvador.
Além de pedir a prorrogação da votação, a federação também requisitou a abertura de uma investigação para apurar possíveis abusos de poder. O TRE-BA, por sua vez, decidiu adiar a análise desses pedidos, mas deixou claro que novas medidas podem ser tomadas assim que as informações solicitadas forem recebidas.
Conforme a fiscalização do Procon-BA, mais de 370 ônibus estavam parados, com pelo menos 75 deles sem poder sair das garagens. O órgão ressaltou que essa situação fere a legislação eleitoral, que exige a utilização total da frota para garantir o transporte dos eleitores. A prefeitura de Salvador se defendeu, afirmando que o atraso na operação dos ônibus ocorreu devido à insistência de sindicalistas que queriam que os veículos saíssem com adesivos do PT, o que foi considerado crime eleitoral.
No dia da votação, o presidente do TRE-BA determinou a liberação imediata dos ônibus, impondo uma multa de R$ 1 milhão por hora em caso de descumprimento. Essa decisão incluiu a ordem de prisão do secretário de Mobilidade de Salvador, que estava em missão oficial na França e deve retornar para prestar esclarecimentos.
A Defensoria Pública da Bahia também se manifestou, assegurando que está trabalhando para garantir o acesso ao transporte público gratuito para todos os eleitores. A situação é crítica e está sendo acompanhada de perto, com relatos de dificuldades semelhantes também no interior do estado.
Com um cenário eleitoral tão conturbado, o que se espera agora é que as autoridades garantam que todos os eleitores possam exercer seu direito de voto sem mais contratempos.



