sexta-feira, 30/10/2026

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Quarto réu pelo assassinato de Mãe Bernadete recebe pena de 23 anos de detenção

Na última quarta-feira (21), o Fórum Ruy Barbosa, localizado no bairro de Nazaré, em Salvador, presenciou a condenação de Sérgio Ferreira de Jesus a 23 anos de prisão, no julgamento relacionado ao assassinato da…

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Na última quarta-feira (21), o Fórum Ruy Barbosa, localizado no bairro de Nazaré, em Salvador, presenciou a condenação de Sérgio Ferreira de Jesus a 23 anos de prisão, no julgamento relacionado ao assassinato da reconhecida líder quilombola e ialorixá Mãe Bernadete. Este caso, que abalou a comunidade de Simões Filho e a Região Metropolitana de Salvador, teve seu desfecho em meio a um contexto de violência e tráfico de drogas.

Sérgio foi considerado culpado por receptar os celulares da vítima e de seus familiares, além de ser apontado como um dos mentores do crime, que ocorreu em agosto de 2023. As investigações revelaram que ele teria orientado os executores sobre a melhor maneira de acessar a casa de Mãe Bernadete, onde o crime brutal foi praticado enquanto a líder estava com seus netos.

O assassinato, que chocou a região, foi atribuído a um chefe do tráfico local, em uma ação que visava silenciar Mãe Bernadete, conhecida por sua oposição ao crime organizado. Já são quatro condenações relacionadas ao caso, mas outros dois réus ainda aguardam julgamento, evidenciando a complexidade e as ramificações do crime.

Os detalhes sobre os envolvidos são alarmantes. Marílio dos Santos, chefe do tráfico, foi condenado a quase 30 anos, mas faleceu em um confronto com a polícia dois dias após sua sentença. Arielson da Conceição, um dos executores, recebeu 40 anos de prisão, enquanto Josevan Dionísio, também executor, foi sentenciado a 28 anos. Por sua vez, Sérgio, agora condenado, foi preso apenas um mês após o crime.

Ydney Carlos, conhecido como Café, que teve uma discussão intensa com Mãe Bernadete antes do crime, e Carlos Conceição Santiago, que ajudou na execução, ainda aguardam julgamento. A situação revela não apenas a tragédia de uma vida perdida, mas também a luta contínua da comunidade quilombola por justiça e segurança.

Além das condenações, a família de Mãe Bernadete ingressou com uma ação contra a União e o Governo da Bahia, buscando indenização por danos morais, apontando falhas na proteção que ela recebia, apesar de estar sob vigilância policial há anos. A luta pela reparação e reconhecimento das falhas institucionais é um reflexo da necessidade de um olhar mais atento às questões de segurança nas comunidades quilombolas.

Após meses de espera, a Procuradoria Geral do Estado informou que a indenização foi concluída, mas os valores permanecem em sigilo. O filho de Mãe Bernadete, Jurandy Pacífico, expressou que essa ação vai além de uma compensação financeira, trazendo à tona a necessidade de proteção e respeito à cultura e à vida dos quilombolas em nosso estado.

Crédito da imagem: Acusado de matar Mãe Bernadete vai a Júri amanhã