sexta-feira, 30/10/2026

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Presidente da Bamor chama membros para sessões de tortura em áudios vazados na Bahia

Uma situação alarmante veio à tona em Salvador, envolvendo a Bamor, a maior torcida organizada do Bahia. Em uma série de áudios, o presidente da torcida, Matheus Pires Castro, foi flagrado discutindo planos cruéis…

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Uma situação alarmante veio à tona em Salvador, envolvendo a Bamor, a maior torcida organizada do Bahia. Em uma série de áudios, o presidente da torcida, Matheus Pires Castro, foi flagrado discutindo planos cruéis de tortura que ocorreriam dentro da sede do grupo. As gravações, que foram divulgadas pelo g1 e pela TV Bahia, revelam o planejamento de sessões de violência física e psicológica, que, segundo o Ministério Público da Bahia (MP-BA), teriam acontecido em julho deste ano.

Os detalhes são estarrecedores. Em uma das mensagens, Matheus, ao convocar os membros da torcida para os atos de tortura, diz que aqueles que têm “nojo de sangue” não deveriam participar. Ele ainda menciona que uma das vítimas deveria “sair com a mão esmagada” para servir de exemplo. A gravidade das ameaças e da violência propostas é chocante e levanta questões sérias sobre a cultura de violência que pode estar enraizada em algumas torcidas organizadas.

No dia 28 de setembro, Matheus e mais nove integrantes da Bamor foram presos, e todos estão sob a acusação de organização criminosa, tortura, extorsão e ameaça. A promotora Thelma Leal, do MP-BA, enfatizou que esses atos de violência foram perpetrados por um grupo que incluía os principais líderes da torcida, refletindo uma dinâmica de poder que utiliza a intimidação e o terror como ferramentas de controle.

De acordo com as investigações, pelo menos duas vítimas foram submetidas a sessões de tortura que duraram horas, em um ambiente que deveria ser um espaço de apoio e camaradagem. Uma das vítimas, que havia sido membro da Bamor por 18 anos, relatou que foi chamada ao local sob a falsa promessa de esclarecimentos sobre supostas fraudes, mas acabou enfrentando um pesadelo de agressões físicas e psicológicas.

Além das torturas, as vítimas foram pressionadas a revelar informações financeiras, com uma delas tendo até a senha de uma conta bancária extraída sob ameaça. O MP-BA também investiga a possibilidade de roubo, já que uma quantia significativa foi transferida para a conta da associação durante as agressões.

A Bamor, por sua vez, emitiu uma nota defendendo que as responsabilidades devem ser apuradas individualmente e que a torcida não compactua com atividades ilegais. No entanto, o fechamento da sede da torcida e as prisões de seus líderes revelam a necessidade urgente de uma reavaliação das práticas e da cultura dentro dessas organizações.

A situação levanta importantes discussões sobre a segurança e os direitos dos torcedores, além de questionar a responsabilidade das torcidas organizadas na promoção de um ambiente respeitoso e seguro para todos os seus membros. Espera-se que as investigações do MP-BA possam trazer à tona toda a verdade e que medidas efetivas sejam tomadas para evitar que casos como esse se repitam no futuro.