A cidade de Salvador vivencia um episódio preocupante que levanta questões sobre discriminação racial. A Polícia Civil da Bahia está investigando um caso envolvendo um adolescente negro de 17 anos, que foi abordado por agentes da Guarda Civil Municipal (GCM) no bairro da Barra. O incidente ocorreu na segunda-feira (2), quando o jovem estava em companhia de amigos. A mãe do adolescente, a corretora de imóveis Sara Oliver, compartilhou sua indignação em um vídeo nas redes sociais, relatando que seu filho foi levado para duas delegacias após os guardas alegarem que o celular dele tinha restrição por roubo.
Segundo Sara, ela não encontrou qualquer registro de roubo ou furto após verificar os dados do aparelho. A mãe expressou sua preocupação com a maneira como o filho foi tratado durante a abordagem, que, segundo ela, não seguia as características descritas pelos agentes. “Meu filho não estava de boné, como foi informado, mas mesmo assim foi abordado”, relatou.
A Guarda Civil Municipal, ao ser consultada, negou que o jovem tenha sido vítima de discriminação racial, afirmando que a abordagem seguiu protocolos legais. No entanto, a família contesta essa afirmação, ressaltando que o adolescente foi tratado de forma desproporcional e desumana, sendo transportado no compartimento traseiro da viatura, como se fosse um criminoso, apesar de não haver evidências que comprovassem qualquer delito.
Após a abordagem, a mãe se dirigiu à delegacia e, mesmo sem documentos que comprovassem a compra do celular, buscou esclarecimentos sobre a situação. Ao retornar à delegacia mais tarde, um policial verificou que o número de identificação do aparelho correspondia ao que estava na caixa e nota fiscal, confirmando que não havia restrição. “Me pergunto que tipo de consulta foi feita para que a informação inicial fosse tão equivocada”, questionou Sara.
A investigação da Polícia Civil está em curso e visa apurar as circunstâncias da abordagem e se houve de fato discriminação racial. O caso ressalta a importância de discutir temas como racismo e o tratamento dado a jovens negros em situações similares. Com a indignação da mãe, fica a reflexão sobre quantas outras famílias enfrentam situações semelhantes e a urgência de promover uma maior responsabilidade e consciência por parte das autoridades. “É preciso que os agentes sejam mais bem treinados e que haja respeito à dignidade de todos”, concluiu Sara, preocupada com futuras abordagens que possam ocorrer.



