Na tarde desta segunda-feira (26), Salvador foi palco de um protesto que agitou o Centro Histórico da cidade. Um grupo de manifestantes expressou sua insatisfação com a redução drástica na frota de ônibus durante o segundo turno das eleições, ocorrido no domingo (25). O prefeito Bruno Reis (União Brasil) se tornou um dos principais alvos das críticas. Em um ato simbólico, os participantes queimaram um boneco com a imagem do gestor municipal, demonstrando a indignação com a situação.
O protesto, embora pacífico, gerou tensão. Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram o momento em que o boneco é incendiado, enquanto os manifestantes gritavam palavras de ordem. Até o fechamento desta matéria, a Prefeitura de Salvador não havia se manifestado oficialmente sobre o ato.
A redução da frota de ônibus em Salvador está sob investigação da Polícia Federal, que recebeu autorização judicial para analisar os documentos relacionados à operação dos coletivos no dia da votação. O prazo para apresentação das informações é de 48 horas. A Justiça questiona a possível redução de mais de 50% da frota, evidenciada por imagens de drones que mostraram ônibus parados nas garagens ao longo do dia da eleição. O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) chegou a solicitar a prisão do secretário de Mobilidade, Pablo Souza, que estava em Paris e teve a ordem revogada nesta segunda-feira, embora a investigação continue.
A prefeitura, por sua vez, atribuiu a falta de ônibus nas ruas a uma ação de manifestantes ligados ao Sindicato dos Rodoviários. Imagens revelaram que veículos estavam adesivados com campanhas, o que contraria as regras eleitorais. Na manhã do domingo, ao menos 75 ônibus foram impedidos de sair das garagens, e a fiscalização da PF constatou uma redução de 42,1% na frota, com 53 veículos a menos em comparação a um dia normal.
Durante a tarde, a prefeitura anunciou que a liberação dos ônibus havia sido determinada para minimizar os transtornos. No entanto, relatos de cidadãos indicam que a circulação de coletivos ainda estava abaixo do esperado. Em resposta à situação, moradores começaram a organizar caronas solidárias, uma ação que rapidamente se espalhou pelas redes sociais, ressaltando a solidariedade da comunidade em tempos de crise.
Enquanto isso, a apuração da PF busca esclarecer se houve uma tentativa deliberada de dificultar o acesso dos eleitores às urnas, investigando possíveis crimes eleitorais. O cenário em Salvador continua tenso, refletindo a importância da mobilidade urbana na participação democrática da população.



