Um cenário alarmante se desdobra em Salvador, onde a torcida organizada Bamor, conhecida por sua paixão pelo Bahia, está no centro de uma investigação chocante. Mensagens reveladas pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) mostram que integrantes da torcida discutiram formas de intimidar vítimas de tortura para evitar denúncias à polícia e à mídia.
No dia 20 de julho, dois dias após um novo episódio de tortura, o presidente da Bamor, Matheus Pires Castro, sugeriu que os membros da torcida fossem até a casa de uma das vítimas para provocá-la. “A gente tem que ir é na porta dele, irmão. Pegar ele de novo. […] Pra ele ver que não vai ter paz, irmão”, afirmou em mensagens que foram apreendidas durante a Operação Inquisição, que resultou na prisão de dez pessoas, incluindo o próprio Matheus e o vice-presidente, Luciano da Silva Venâncio.
As agressões, que ocorreram na sede da Bamor, no bairro de Nazaré, foram descritas como sessões de tortura física e psicológica que duraram cerca de quatro horas em cada episódio. A situação se agravou quando os membros da torcida se reuniram para discutir estratégias de intimidação após uma das vítimas compartilhar detalhes sobre as agressões sofridas.
Mensagens trocadas entre os integrantes indicam uma clara intenção de amedrontar as vítimas para que não buscassem justiça. Matheus chegou a ameaçar dobrar a duração das torturas, afirmando que seria “oito horas” caso a vítima continuasse a falar sobre o que aconteceu. A tensão entre os membros da torcida era evidente, com um integrante sugerindo até mesmo apagar mensagens do grupo para evitar que fossem utilizadas como provas.
A situação se torna ainda mais preocupante quando se considera a preocupação dos integrantes em evitar que as vítimas buscassem a imprensa. Conversas revelam que a abordagem deveria ser feita de maneira sutil, sem que as ameaças fossem explícitas, para não deixar rastros que pudessem incriminá-los.
Em 2 de outubro, o MP-BA formalizou a denúncia contra os dez envolvidos, que enfrentam acusações de crimes graves, como organização criminosa e tortura. A promotora Thelma Leal destacou que todos os detidos, de alguma forma, participaram dos atos de violência, e expressou a esperança de que a Bamor passe por uma transformação em sua liderança para prevenir novos episódios de violência.
Esse caso levanta questões sérias sobre a cultura de violência que pode estar presente em algumas torcidas organizadas, e a necessidade de um olhar atento e ações efetivas das autoridades para proteger as vítimas e assegurar que a justiça seja feita.



