sexta-feira, 30/10/2026

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Membros da Bamor falam sobre agressões e debate sobre uso de faca em reunião

A situação envolvendo a Bamor, a maior torcida organizada do Bahia, gerou preocupação e revolta na comunidade local. O Ministério Público da Bahia (MP-BA) está investigando graves acusações de tortura que teriam ocorrido na…

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A situação envolvendo a Bamor, a maior torcida organizada do Bahia, gerou preocupação e revolta na comunidade local. O Ministério Público da Bahia (MP-BA) está investigando graves acusações de tortura que teriam ocorrido na sede do grupo, situada no bairro de Nazaré, em Salvador. O escândalo veio à tona após a Operação Inquisição, que prendeu dez integrantes da torcida, incluindo o presidente Matheus Pires Castro.

Mensagens obtidas de um celular apreendido na operação revelaram um clima de impunidade e violência entre os membros da diretoria. Em um grupo de WhatsApp chamado “Diretoria Bamor”, um dos diretores chegou a declarar: “Só me arrependi de não bater mais, mas um braço deixei quebrado”. Essas palavras chocantes refletem a brutalidade que as vítimas enfrentaram, sendo convocadas sob a falsa justificativa de esclarecer supostas irregularidades financeiras.

De acordo com o relato do MP-BA, as sessões de tortura duraram cerca de quatro horas e envolveram agressões físicas e psicológicas. Um dos indivíduos, identificado como “Kakaroto Drt”, e que é diretor de marketing da Bamor, confirmou o uso de violência extrema ao comentar sobre as agressões. As mensagens também contêm referências a armas e objetos cortantes, sugerindo um planejamento deliberado das torturas.

Em um áudio alarmante, Matheus Pires Castro orientou os diretores a assumirem a responsabilidade coletiva pelas agressões, evitando que nomes individuais fossem citados. Ele expressou sua disposição de intensificar a violência em caso de novas suspeitas de desvio de verbas, afirmando que “quem a gente pegar roubando agora vai ser pior do que foi com Binho”. As ameaças incluem até a possibilidade de mutilação, o que revela um comportamento alarmante e desumano.

As investigações levaram à denúncia formal de todos os envolvidos, que enfrentam acusações de organização criminosa, tortura, roubo, extorsão e ameaça. A promotora Thelma Leal declarou que todos os presos participaram ativamente das práticas de tortura, embora em diferentes graus. A expectativa é que a liderança da Bamor passe por uma transformação significativa, visando prevenir novos episódios de violência.

Por sua vez, a torcida se manifestou em nota, afirmando que respeita o trabalho das autoridades e que as responsabilidades devem ser apuradas de forma individual. A Bamor ressaltou que não compactua com práticas ilícitas e espera que as investigações sejam realizadas de maneira justa e imparcial.

O caso levanta questões sérias sobre a cultura de violência em torcidas organizadas e a necessidade de uma reflexão coletiva sobre os limites do fandom, convidando a comunidade a se unir contra a brutalidade e em prol de um ambiente mais seguro e respeitoso para todos.