sexta-feira, 30/10/2026

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Membro da Torcida Organizada do Bahia propõe eliminar mensagens para evitar denúncias sobre torturas em Salvador

A Bamor, a maior torcida organizada do Bahia, está no centro de uma investigação do Ministério Público da Bahia (MP-BA) que expõe um cenário alarmante de tortura e violência. O caso veio à tona…

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A Bamor, a maior torcida organizada do Bahia, está no centro de uma investigação do Ministério Público da Bahia (MP-BA) que expõe um cenário alarmante de tortura e violência. O caso veio à tona após a Operação Inquisição, realizada em 28 de setembro, que resultou na prisão de 10 membros da diretoria, incluindo o presidente Matheus Pires Castro e o vice-presidente Luciano da Silva Venâncio.

Documentos do MP-BA revelam que integrantes da torcida discutiram, em um grupo de WhatsApp, maneiras de apagar mensagens que poderiam incriminá-los por agressões físicas e psicológicas a duas vítimas. Os episódios de tortura ocorreram entre os dias 17 e 18 de julho, quando os homens foram convocados sob o pretexto de esclarecer supostas irregularidades financeiras na gestão da torcida.

Em mensagens de áudio, um dos membros sugeriu: “Melhor apagar tudo essas por aí, viu?”, demonstrando preocupação com possíveis denúncias. Outro participante, identificado como Daniel, minimizou a situação, afirmando que não havia motivo para temer provas, pois as vítimas eram vistas como ladrões que mereciam as agressões. As conversas revelam um ambiente de impunidade e um plano deliberado para evitar a responsabilização individual.

Matheus Castro, em áudios gravados, demonstrou sua intenção de punir severamente qualquer um que fosse acusado de roubo, ameaçando até mesmo arranjar ferimentos graves em futuras agressões. “Se for preciso, a gente vai arrancar uma mão, vai arrancar um pé”, disse Castro, deixando claro que a violência era uma prática aceita dentro da organização.

O relatório também destaca a preocupação sobre a identificação dos envolvidos nas agressões. Castro orientou que todos deveriam atribuir as ações à diretoria, evitando mencionar nomes pessoais. Essa estratégia de proteção revela uma tentativa de blindar os responsáveis e perpetuar um ciclo de violência e medo dentro da torcida.

Com a repercussão do caso, a promotora Thelma Leal, que acompanha o processo, enfatizou a necessidade de uma mudança na liderança da Bamor, que, segundo ela, deve adotar medidas rigorosas para evitar que episódios de violência se repitam. O que se desenha é uma luta contra a cultura de violência que parece estar enraizada na torcida, e a expectativa da sociedade é que os responsáveis sejam devidamente punidos e que as vítimas tenham voz e vez para se manifestar.