A Justiça da Bahia decidiu suspender a cerimônia que concederia o Título de Cidadão da Cidade do Salvador ao senador Flávio Bolsonaro (PL), prevista para este sábado (17) no Farol da Barra. A determinação, assinada pela juíza Carla Graziela Costantino de Araújo, da 5ª Vara da Fazenda Pública, foi motivada por preocupações sobre a imparcialidade do processo eleitoral e a natureza promocional da homenagem em um momento tão delicado para a política nacional.
A ação popular que resultou na proibição foi movida pela aposentada Maria Lúcia Andrade da Silva, que argumentou que a realização da cerimônia poderia influenciar a disputa eleitoral, já que o evento estava agendado para um período crítico: o segundo turno das eleições presidenciais. A juíza impôs uma multa de R$ 500 mil em caso de descumprimento da decisão, que também suspendeu a transferência temporária da sede da Câmara Municipal para o local da cerimônia.
Flávio Bolsonaro, que obteve 391.188 votos em Salvador, ficou atrás do presidente Lula (PT), que teve mais do que o dobro dos votos na capital. Embora tenha se destacado em algumas cidades baianas, a maioria dos eleitores optou por Lula, refletindo a complexidade do cenário político no estado. Cientistas políticos analisam que a presença do bolsonarismo na Bahia está ligada a fatores como conflitos agrários e afinidades culturais com outras regiões do país.
A juíza destacou que a escolha do Farol da Barra como sede da solenidade geraria custos desproporcionais, como a necessidade de uma estrutura excepcional para segurança e cerimonial. Além disso, a autora da ação também questionou se Flávio Bolsonaro realmente prestou serviços relevantes à cidade, um ponto que adicionou mais controvérsia à concessão do título.
Com a decisão da Justiça, a Câmara Municipal foi intimada a cumprir a suspensão da cerimônia e a reconsiderar a honraria concedida ao senador. A população de Salvador agora aguarda a repercussão desse impasse, que se insere em um contexto eleitoral acirrado e cheio de nuances na política local.
Crédito da imagem: REUTERS/Adriano Machado



