A situação do transporte público em Salvador durante o segundo turno das eleições, no último domingo (25), gerou uma série de investigações e polêmicas que estão movimentando a cidade. Imagens aéreas revelaram que muitos ônibus permaneceram parados nas garagens, levando a Justiça a solicitar que a Polícia Federal apure a possível redução de mais de 50% da frota de ônibus na capital baiana.
O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) chegou a solicitar a prisão do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, que estava em Paris na hora da determinação e, por isso, não foi detido. A medida foi revogada nesta segunda-feira (26), mas a decisão não isenta os envolvidos de futuras responsabilidades, já que a investigação continua e poderá resultar em ações legais caso se confirme algum crime eleitoral.
As autoridades estão de olho em quem tomou a decisão pela diminuição do serviço, avaliando se houve intenção de prejudicar o acesso dos eleitores às urnas. A medida é considerada gravíssima, pois pode configurar crimes como embaraçar o exercício do voto e desobedecer ordens judiciais.
A Prefeitura de Salvador justificou a falta de ônibus alegando que o problema foi causado por uma manifestação de membros do Sindicato dos Rodoviários. No entanto, imagens mostraram adesivos de campanha de Lula colados em alguns veículos, o que contraria as normas eleitorais. A situação foi grave: cerca de 75 ônibus foram barrados nas garagens, e uma fiscalização da PF constatou que a frota estava 42,1% menor do que o habitual, com 53 veículos a menos nas ruas.
Mesmo após a liberação da frota, a circulação de ônibus permaneceu insatisfatória durante a tarde. Em resposta à crise no transporte, muitos moradores se uniram para oferecer caronas solidárias. Vídeos de motoristas organizando filas em pontos de ônibus para ajudar eleitores a chegarem aos locais de votação rapidamente se espalharam nas redes sociais, destacando a solidariedade da população em um momento crítico.
Enquanto isso, a reeleição de Lula foi celebrada em Salvador, que deu mais de 73% dos votos ao candidato, mas a jornada até as urnas foi marcada por uma série de desafios, especialmente no que diz respeito ao transporte público. O prefeito Bruno Reis, que já foi vice-prefeito na gestão de ACM Neto e atualmente está em seu segundo mandato, enfrenta agora um cenário que exige respostas e soluções para a mobilidade urbana da capital.



