A situação do transporte público em Salvador se complicou neste domingo (25), dia das eleições, quando uma fiscalização realizada pela Polícia Federal (PF) revelou que a frota de ônibus em uma das garagens da cidade estava 42,1% menor do que o habitual. O relatório da PF, que teve acesso confirmado pelo g1, apontou que apenas 73 ônibus estavam em operação na garagem 5, na Estrada de Pirajá, em comparação aos 126 planejados para o dia seguinte.
O problema foi identificado logo pela manhã, levando a população a registrar diversas queixas junto aos órgãos responsáveis. Em resposta, a Coligação Federação Brasil da Esperança (PT/PCdoB/PV) solicitou a extensão do horário de votação em várias cidades baianas, o que foi acatado pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que estendeu o encerramento da votação até as 19h em todo o Brasil.
Além da PF, a fiscalização contou com a participação da Polícia Civil da Bahia, que, através de imagens de drones, registrou um grande número de ônibus estacionados, evidenciando a falta de operação adequada no dia das eleições. O Procon também fez sua parte e constatou que, em outra garagem na Estrada de Pirajá, apenas 110 veículos estavam em circulação, uma queda de 50,5% em relação ao esperado.
Em meio a essa crise no transporte, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) decidiu não só exigir a normalização da frota, mas também ordenou a prisão do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, que atualmente se encontra em Paris. O tribunal enfatizou a importância do transporte público no dia da votação, ressaltando que este deve ser acessível e frequente, como nos dias normais de operação.
A Prefeitura de Salvador, por sua vez, justificou o atraso na saída dos ônibus à necessidade de retirada de propaganda eleitoral dos veículos, uma exigência legal. O prefeito Bruno Reis (União Brasil) criticou a situação, afirmando que a retirada dos adesivos comprometeu a operação e que a administração municipal teve que intervir para garantir a circulação dos coletivos.
Com o cenário caótico, a população se pergunta: como garantir o direito de voto se o transporte público, essencial em dias como hoje, não está funcionando adequadamente? As respostas e responsabilidades ainda estão sendo discutidas, mas uma coisa é certa: o dia das eleições em Salvador não foi como o esperado.



