A visita do secretário Municipal de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza, não poderia ser mais conturbada. Após retornar de uma missão oficial em Paris, ele chegou à cidade no meio de protestos e acompanhamentos judiciais relacionados à polêmica retenção da frota de ônibus no último domingo (25). O secretário deve prestar esclarecimentos durante uma entrevista ao Jornal da Manhã, da TV Bahia, nesta terça-feira (27).
A situação se complicou quando o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) chegou a decretar a prisão em flagrante de Souza devido à drástica redução da circulação de ônibus na cidade, que foi considerada superior a 50% no dia da votação. Embora a prisão tenha sido revogada após o fim do processo eleitoral, a decisão judicial não absolve o secretário de possíveis crimes eleitorais, que estão sendo investigados pela Polícia Federal e pela Procuradoria Regional Eleitoral.
O TRE busca esclarecer quem foi o responsável pela diminuição do serviço e se houve uma intenção deliberada de dificultar o deslocamento dos eleitores. As alegações de Pablo Souza e do prefeito Bruno Reis (União Brasil) são de que não houve má-fé, mas que o problema estava relacionado a um “adesivaço” irregular em veículos associados à campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que foi reeleito presidente do Brasil.
O prefeito, ao se pronunciar sobre a situação, afirmou que a responsabilidade pela retirada dos adesivos era dos empresários do transporte e que, ao perceber o impacto que isso causou, a prefeitura liberou os ônibus para circulação. No entanto, até o momento, não há um esclarecimento claro sobre o tempo em que os coletivos ficaram parados ou a quantidade exata de veículos que não saíram das garagens.
Na manhã do domingo, pelo menos 75 ônibus foram confirmados como parados, mas fiscalizações subsequentes indicaram redução ainda mais acentuada, com a Polícia Federal constatando 42,1% a menos de veículos em operação. A Prefeitura ainda não divulgou a quantidade total de ônibus que deveria ter circulado naquele dia.
Em meio a essa pressão, manifestantes se reuniram em frente à sede da Prefeitura, onde o prefeito Bruno Reis foi alvo de protestos acalorados. Um boneco com a imagem do gestor foi incendiado, simbolizando a insatisfação popular. A Prefeitura, por sua vez, denunciou atos de vandalismo durante a manifestação e informou que, por questões de segurança, decidiu suspender o expediente no local.
Com a reeleição de Lula e a revolta popular em alta, a situação de Pablo Souza e da gestão municipal se torna cada vez mais delicada. A pressão por respostas e soluções para a mobilidade na capital baiana continua a crescer, enquanto a Justiça avança nas investigações sobre os possíveis crimes eleitorais que podem ter impactado o processo democrático.



