Na tarde desta quarta-feira (21), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) proferiu uma decisão que marca um novo capítulo na polêmica Operação Faroeste, que investiga um esquema de venda de decisões judiciais na Bahia. Dentre os oito réus, cinco foram condenados, incluindo figuras de destaque como a ex-presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago, e o juiz aposentado Sérgio Humberto de Quadros Sampaio. Os outros três réus foram inocentados por falta de evidências suficientes.
A desembargadora Maria do Socorro foi sentenciada a 14 anos e 11 meses de prisão, enquanto o juiz aposentado Sérgio Sampaio recebeu uma pena ainda maior, de 15 anos e oito meses de reclusão. Ambos enfrentarão a prisão em regime fechado, além de perderem seus cargos. No caso de Sampaio, a sanção se estendeu à cassação de sua aposentadoria compulsória.
Os outros condenados, o empresário Adailton Maturino dos Santos, sua esposa Geciane Souza Maturino dos Santos e o advogado Ricardo Augusto Três, foram punidos com penas que variam de 10 a 21 anos de prisão, todas em regime fechado, pelos mesmos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
Os absolvidos, incluindo a ex-vocalista da banda Timbalada, Amanda Santiago, e outros dois réus, foram considerados inocentes devido à falta de provas que sustentassem as acusações. A sessão de julgamento se estendeu por todo o dia, com a apresentação do relatório do ministro relator do caso, OG Fernandes, que foi seguido por unanimidade pela corte.
A Operação Faroeste, que começou em 2019, revelou um esquema que visava legalizar terras griladas em uma das regiões mais produtivas do estado, onde o agronegócio cresce a passos largos. A investigação sugere que juízes e empresários atuaram juntos para facilitar a grilagem de mais de 360 mil hectares de terras, envolvendo valores que podem chegar a R$ 1 bilhão.
As defesas dos réus se manifestaram após o veredicto. A equipe responsável pela defesa de Amanda Santiago expressou alívio com a absolvição, afirmando que a decisão confirma a inocência da ex-cantora. Por outro lado, a defesa de Maria do Socorro Barreto demonstrou perplexidade com a condenação, alegando que a decisão carece de provas concretas e se baseia em interpretações tendenciosas de anotações pessoais da desembargadora.
Enquanto a Justiça avança com este caso complexo, muitos na Bahia acompanham atentamente os desdobramentos, que prometem reverberar por todo o estado e além. A busca por justiça e transparência no sistema judiciário continua a ser uma preocupação central para a população local.
Crédito da imagem: Desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago



