sexta-feira, 30/10/2026

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Baiana supera câncer de mama e cria projeto voltado à saúde íntima feminina

A fisioterapeuta baiana Patrícia Lordêlo, de 49 anos, decidiu transformar sua experiência pessoal com o câncer de mama em um projeto inovador para ajudar outras mulheres. Após enfrentar o tratamento e sentir na pele…

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A fisioterapeuta baiana Patrícia Lordêlo, de 49 anos, decidiu transformar sua experiência pessoal com o câncer de mama em um projeto inovador para ajudar outras mulheres. Após enfrentar o tratamento e sentir na pele os impactos da quimioterapia na saúde íntima, Patrícia iniciou uma pesquisa focada na aplicação de LEDs azuis como forma de aliviar os efeitos colaterais que muitas pacientes enfrentam. O trabalho dela se destaca, especialmente, por abordar um tema muitas vezes negligenciado: o cuidado com a saúde genital durante e após o tratamento oncológico.

Diagnosticada em outubro de 2024, a pesquisadora notou que os problemas genitais não se limitavam ao pós-tratamento, mas surgiam já durante a quimioterapia. Com isso em mente, Patrícia desenvolveu um equipamento adaptável para uso em casa, permitindo que as mulheres possam realizar o tratamento de forma mais confortável e acessível. O projeto recebeu apoio do CNPq e propõe uma comparação entre os resultados do uso domiciliar e do tratamento realizado em ambulatório.

Em entrevista, Patrícia compartilhou que a dificuldade em se deslocar para os atendimentos foi um dos fatores que a motivaram a criar essa nova versão do equipamento. “Nos primeiros dias após a quimioterapia, eu sentia dores intensas e sair de casa era um desafio.” Essa vivência também a inspirou a escrever o livro “Inteira: Uma história real de corpo, intimidade, ciência, espiritualidade e reconstrução”, que será lançado no próximo domingo, em meio ao Outubro Rosa. A obra, que conta com o prefácio da atriz Regina Casé, busca ampliar a discussão sobre a qualidade de vida das mulheres durante o tratamento do câncer.

O uso do LED azul intravaginal, que a equipe de Patrícia investiga desde 2019, visa tratar disfunções pélvicas como ressecamento vaginal e dor durante relações sexuais, oferecendo uma alternativa não hormonal. A fisioterapeuta enfatiza a importância de desenvolver tratamentos que respeitem as limitações que podem surgir na saúde íntima das pacientes que usam medicamentos que bloqueiam a ação hormonal.

Com a expectativa de iniciar os testes clínicos em breve, Patrícia se mostra otimista com os resultados já alcançados em tratamentos ambulatoriais. “As mulheres relataram melhorias na lubrificação e conforto, fatores essenciais para a qualidade de vida,” afirma. E assim, a trajetória de Patrícia não apenas reflete a luta contra o câncer, mas também um compromisso em transformar desafios pessoais em soluções que podem beneficiar muitas outras mulheres na Bahia e além.