domingo, 08/11/2026

28° Buritirama Céu limpo · máx 38° mín 26°

Desembargadora condenada na Operação Faroeste é incluída em lista de procurados internacionais pelo STJ

Na última quinta-feira (5), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tomou uma decisão drástica: a inclusão da desembargadora aposentada Sandra Inês Moraes Rusciolelli Azevedo e de seu filho, o advogado Vasco Rusciolelli Azevedo, na…

Compartilhe:

Na última quinta-feira (5), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tomou uma decisão drástica: a inclusão da desembargadora aposentada Sandra Inês Moraes Rusciolelli Azevedo e de seu filho, o advogado Vasco Rusciolelli Azevedo, na lista de procurados internacionais da Interpol. Ambos foram condenados por envolvimento em um esquema de venda de sentenças judiciais, que faz parte das investigações da Operação Faroeste.

O relator do caso, ministro Og Fernandes, autorizou não apenas a inclusão dos nomes na Difusão Vermelha da Interpol, mas também as medidas necessárias para um pedido de extradição junto às autoridades portuguesas. O que chama a atenção é que Sandra e Vasco deixaram o Brasil em 21 de setembro, poco antes da condenação, desembarcando em Lisboa no dia seguinte. Essa movimentação levantou suspeitas, conforme informou o Ministério Público Federal (MPF), que apontou indícios de que eles estavam tentando dificultar a própria localização.

Em agosto, antes de embarcarem para Portugal, eles haviam apresentado à Justiça um novo endereço, mas, ao tentarem ser localizados em outubro, um oficial de Justiça constatou que Sandra Inês nunca havia morado lá. O telefone de Vasco foi atendido, mas desligado assim que o oficial se identificou como servidor do STJ. Para o ministro Fernandes, essa sequência de atos indica um risco real de fuga e um esforço deliberado para escapar das consequências judiciais no Brasil.

A situação é ainda mais grave considerando que ambos foram condenados a penas severas: Sandra recebeu 14 anos e 20 dias de reclusão, enquanto Vasco foi sentenciado a 13 anos e 11 meses, ambos em regime fechado. As condenações se deram por crimes como corrupção passiva, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

O escândalo da Operação Faroeste, que começou no fim de 2019, revela um esquema de venda de decisões judiciais na Bahia, envolvendo magistrados e advogados que favoreciam interesses de uma empresa agropecuária em disputas de terra. O MPF estima que cerca de R$ 4 milhões teriam sido negociados, com aproximadamente R$ 2,4 milhões já pagos. As investigações também levantaram questões sobre a grilagem de terras, abrangendo uma área de até 360 mil hectares.

Além das condenações, a Operação Faroeste já resultou em diversas prisões e afastamentos de magistrados envolvidos no esquema, incluindo a aposentadoria compulsória de Sandra Inês em 2020. A situação continua a ser monitorada, e as autoridades estão atentas a possíveis desdobramentos.