A conexão entre gerações de talentos baianos está em alta com o filme “Feito Pipa”, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (5). A produção, que tem como objetivo representar o Brasil no Oscar 2027, já conquistou prêmios em festivais internacionais, destacando-se no cenário cultural. Em um dos papéis principais, Lázaro Ramos, um ícone do cinema nacional, contracena com o jovem ator soteropolitano Yuri Gomes, que começa a trilhar seu caminho no mundo das artes ao lado do conterrâneo.
O encontro entre Lázaro e Yuri foi marcado por uma identificação instantânea. Durante os ensaios em Fortaleza, Lázaro percebeu semelhanças que o remeteram à sua própria infância em Salvador, quando também iniciou sua trajetória em projetos culturais. “Quando vi o Yuri, lembrei do menino negro que fazia teatro no Pelourinho. Ele é esperto e engraçado, como eu era”, compartilhou Lázaro em entrevista.
No longa, Yuri interpreta Gugu, um garoto de 12 anos apaixonado por futebol e criado com afeto pela avó, Dilma, vivida por Teca Pereira. Contudo, a dinâmica familiar muda quando Dilma começa a sofrer com o Alzheimer, levando Gugu a enfrentar a possibilidade de morar com o pai, Batista, interpretado por Lázaro. A relação entre pai e filho é marcada por desafios emocionais e expectativas conflitantes.
Lázaro destaca que a narrativa vai além do estereótipo do pai duro, permitindo uma reflexão sobre os sentimentos que Batista não consegue expressar. “O filme apresenta um olhar cuidadoso sobre o Nordeste e sobre personagens complexos. É uma história que fala sobre afeto”, observa o ator.
Além disso, Lázaro elogia a coragem e autenticidade de Gugu, que se destaca como uma criança que conhece seu valor e não teme ser quem realmente é. “Ele é a criança que eu gostaria de ter sido”, diz Lázaro, evidenciando a força do personagem de Yuri.
Para Yuri, a experiência de atuar ao lado de Lázaro foi enriquecedora e um marco em sua carreira. “Ele me ensinou a persistir nos meus objetivos”, afirma, mostrando gratidão pela oportunidade de contracenar com um dos maiores nomes do cinema brasileiro.
<p"Feito Pipa" se passa no sertão cearense, retratando a vida através do olhar de Gugu, enquanto a paisagem e as dificuldades da região se entrelaçam na narrativa. O diretor Allan Deberton enfatiza a importância de contar a história pela perspectiva infantil, permitindo que o público vivencie as emoções do protagonista.
A produção foi aclamada em diversos festivais, recebendo prêmios em Gramado e sendo reconhecida no Festival de Berlim. Para Lázaro, é importante que “Feito Pipa” ganhe visibilidade, principalmente por dar voz a regiões e histórias que muitas vezes ficam à margem das produções cinematográficas do país.
Com uma campanha intensa para conquistar o Oscar, a expectativa é alta. Tanto Lázaro quanto Deberton estão otimistas, acreditando que “Feito Pipa” pode emocionar e conquistar os votantes, garantindo um espaço significativo para a cultura nordestina no cinema brasileiro.


